No poema:
A Natureza da Realidade
Lui Morais
A relevância e a excelência e a essência
Do que falo é que eu falo o que penso
Se pudesse ou quando puder ler
Na língua do Lácio você vai também ter certeza
Que os maiores poetas deles se chamaram
Virgílio e Lucrécio;
Foi no talento gigantesco desses caras
Que o pensamento ocidental degringolou?
Acho que não. Em outros contextos
O mesmo burburinho materialistinha escalou
E fez barulho até ficar tudo confuso;
Aquilo que a teoria da informação chama
De ruído é o que trouxe o imenso poeta latino:
O fator que inviabiliza ou quase impede
A transmissão da informação
Que pode ser um som ou o sentido
Deturpando a plena compreensão;
O poema de Lucrécio tem por título
De Rerum Natura, que se lê em vernáculo
Sobre a Natureza das Coisas;
É claro que o fato do nome deste livro
Que aqui escrevo ter vindo daquele
Não é mero acaso ou simples homenagem;
Pois meu impulso poético se gera
No pulo do fato que é o vetor do ato
Onde e quando a potência que quer ser vontade
Se encontra a si mesma e faz a realidade plural
Porque o real é uma infinidade em floração de eventos
E versos e versões
Vibrantes
Minha crítica não foi ao Lucrécio o Lucrécio é o máximo
E é claro que aprovo total/mente a teoria atômica desde o início
Quando surgiu tenha sido na Atlântida ou em Bharata
Todavia na prístina Helada ela retorna com força em Leucipo
E no seu fiel Demócrito de Abdera; porém, o clinâmen,
Que em seu poema Lucrécio revelou é que é o bicho;
Minha resistência ou melhor minha intolerância
Não se dá com esses grandes pensadores,
Mas sim com a proposta rastaquera do materialismo
Que Karl Marx leu errado nos atomistas, e propõe pior ainda
(Minha crítica se constitui sim contra a teoria maxista);
Heidegger propõe que Heráclito e Parmênides são unívocos,
Na minha concepção Lucrécio e Plotino e seu mestre também são;
Eu sei que a pessoa muitas vezes corre o risco de ter
Platitudes ao invés de platôs,
Muito por causa das escolhas, escolas e mídias
Que tantas vezes fazem muita força pra tornar tudo medíocre;
Veja por exemplo Gilles e Félix na sua obra Mille Plateaux
Nos mostrando que o rizoma é uma virtualidade que tende ao infinito
Não só como fator numérico, com tudo, e, principalmente,
Qualitativamente
Nos pluriprincípios
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